Henri Ghéon
Crítico pagão convertido a dramaturgo católico
Henri Ghéon, nascido Henri Vangeon em Bray-sur-Seine, Sena e Marne, foi um dramaturgo, romancista, poeta e crítico francês. Criado por uma mãe católica romana devota, ele perdeu a fé no início da adolescência, enquanto ainda estudava no Liceu de Sens. Entre os fatores que provocaram essa mudança, um se destacava em sua própria mente: na escola, a religião era ensinada sem vida nem compreensão. Ghéon não sentiu sua falta. Como diz F. J. Sheed: “O seu era um ateísmo feliz.” Ele substituiu o catolicismo por um culto semipagão da beleza em todas as suas formas — a natureza, a literatura, a música, a pintura. Ele mudou-se para Paris em 1893 para estudar medicina. Por volta da mesma época, começou a escrever poesia, junto com seus colegas Francis Jammes e Stéphane Mallarmé. Ele também publicou crítica de vanguarda. Em 1887, conheceu André Gide, que se tornou seu guia literário e amigo por vinte anos. Ghéon, escreve o biógrafo de Gide, Alan Sheridan, “era o amigo e companheiro mais próximo de Gide em inúmeras façanhas homossexuais.” Ghéon na verdade redigiu um texto militante a favor da homossexualidade, La Vie secrète de Guillaume Arnoult, que foi uma das inspirações para o Corydon de Gide. Em 1909, foram membros fundadores da Nouvelle Revue Française (NRF). Ghéon também pintou, estudou música e viajou amplamente. Foi o cético Gide que ocasionou as primeiras rachaduras no paganismo de Ghéon quando o convidou para visitar Florença com ele em 1912. Lá, Ghéon descobriu a arte religiosa de Giotto e de Fra Angelico e ficou tão impressionado a ponto de derramar lágrimas. "Em São Marcos", escreveu ele, "com Cristo morrendo na cruz e a Virgem esperando pelo anjo em um corredor vazio e silencioso..., até mesmo nossos sentidos tinham uma alma. A arte me havia transportado antes, mas nunca tão alto." Ele serviu como médico militar na Primeira Guerra Mundial. Durante esse período, recuperou sua fé católica, conforme descrito em sua obra L'homme né de la guerre. Sua conversão esteve ligada a um devoto oficial naval católico, Pierre Dominique Dupouey, a quem conheceu apenas três vezes no espaço de algumas semanas, mas que lhe causou grande impressão. Foi novamente Gide quem proporcionou este encontro decisivo: quando Ghéon partiu para a frente belga, Gide o instou a tentar encontrar Dupouey, que havia sido seu discípulo e com quem ainda mantinha correspondência. No Sábado de Aleluia de 1915, Dupouey foi morto em combate no Yser. Pelo Natal, Ghéon havia retornado à fé católica. Ele fundou os «Compagnons de Notre Dame» (Companheiros de Nossa Senhora), uma espécie de confraria teatral amadora de jovens, para a qual escreveu mais de 60 peças, geralmente sobre episódios do Evangelho ou da vida dos santos. As peças de Ghéon tinham claras semelhanças com os mistérios e milagres medievais. Os Companheiros de Nossa Senhora actuaram com sucesso em Paris e por toda a França, bem como na Bélgica, Holanda e Suíça, e Ghéon foi agraciado com um prémio pela sua obra pela Académie française. Ele também escreveu poemas, biografias de santos e romances, entre eles uma obra em três partes, Les Jeux de l'enfer et du ciel (Jogos do Inferno e do Céu), centrada no cura d'Ars. Ghéon morreu de câncer em uma clínica em Paris em 13 de junho de 1944, uma semana após o desembarque dos Aliados na Normandia e seis dias após a estreia de sua peça mais recente, Saint Gilles.
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